Passeios & Atividades

Saída de Campo a Arouca

Nesta saída de campo, tivemos a oportunidade de visitar alguns dos geossítios (locais de interesse geológico)  mais conhecidos do parque geológico de Arouca, nomeadamente:

  1. Frecha da Mizarela;
  2. Contacto geológico da Mizarela;
  3. Campo de dobras da Castanheira;
  4. "Pedras Parideiras";
  5. Falha da Espiunca.

1. Frecha da Mizarela

Esta é a maior cascata de Portugal Continental. O rio Caima projeta-se a mais de 60 metros de altura, num espetáculo natural que deve ser contemplado. Deste miradouro, é possível observar o granito da serra da Freita, uma rocha mais resistente à erosão fluvial do que os micaxistos localizados a jusante (para onde se dirige a corrente de água). Algo bem visível na paisagem é o facto do micaxisto, por ser mais brando e macio, tornam a erosão fluvial mais eficaz.

Para além desta erosão diferencial, acredita-se que o sistema de falhas da serra da Freita terá tido também um papel importante para o encaixe do rio e para a formação deste impressionante desnível.

2. Contacto geológico da Mizarela

Este é o sítio do Geopark de Arouca onde é possível a melhor observação macroscópica que distingue o granito das rochas "xistentas", uma vez que estão lado a lado, como podemos ver na primeira imagem, xisto no lado esquerdo e o granito no lado direito. Um excelente sítio para cartografia geológica (figura 2).

 O granito apresenta-se sob forma de relevo residual por toda a serra da Freita. Apesar de estar descrito como granito de duas micas, neste local, existe um claro domínio da moscovite em relação à biotite.

Por outro lado, as rochas "xistentas", maioritariamente micaxistos apresentam com um grau de metamorfismo médio. Um mineral muito comum na constituição é a estaurolite. Apresentando-se maclados (minerais com orientação recíproca bem definida), podem apresentar-se de várias dimensões neste local.

3. Campo de dobras da Castanheira

Esta área a sudeste das "pedras parideiras" é conhecida por apresentar rochas intensamente dobradas. As "dobras" são deformações nas rochas onde se verifica o encurvamento de superfícies originalmente planas.

Estas rochas formaram-se à mais de 500 milhões de anos, nas profundezas de um mar existente nesta região. As mesmas iam-se depositando no fundo do mar horizontalmente, que depois, devido aos fatores do metamorfismo (aumento da pressão e da temperatura) imprimiram às rochas um comportamento dúctil.

Um fator que ajuda na perceção das dobras é os filões de quartzo por possuírem um cor clara.

4. "Pedras Parideiras"

"Pedras Parideiras" é o nome popular destas rochas. O seu nome geológico é "Granito nodular da Castanheira" e estende-se por uma área de 1 km quadrado. Este granito apresenta uma exclusividade única no mundo.

Na sua constituição, apresentam nódulos biotíticos, constituídos por biotite (mineral de cor negra) e um núcleo de quartzo e feldspato. Outros minerais da constituição destes nódulos são ortoclase, albite e moscovite. Estes nódulos apresentam uma forma discoide, biconvexa e  marcadamente alinhados, bem visíveis nas imagens acima.

Por ação da meteorização física e química, principalmente da água da chuva e das mudanças de temperatura, estes nódulos são finalmente soltos do granito por ação da erosão, ficando depositados no solo. Daí a expressão popular "Pedra Parideira", por causa do granito ser "uma pedra que pare outras".

5. Falha da Espiunca

Junto à ponte da Espiunca, perto do rio Paiva, existe uma falha geológica de elevado valor educativo, por ser um bom exemplo das representações esquemáticas de falhas utilizadas no ramo da Geologia.

Neste geossítio é possível observar os diversos elementos que constituem as falhas:

  • Plano da falha ( superfície onde ocorre o deslocamento);
  • O teto (bloco situado acima do plano da falha);

  • O muro (bloco situado abaixo do plano da falha);

  • O rejeito (medida de deslocamento dos blocos).

O rejeito destes blocos é cerca de 1,70 metros, como podemos ver no esquema da falha da figura acima.

Esta falha é classificada como normal e distensiva, pela causa do teto não se sobrepor sobre o muro.

Passadiços do Paiva...

...e os seus biospots

Os biospots estão dispersos pelos passadiços do Paiva e destacam algumas das espécies mais emblemáticas e comuns da diversidade de insetos e plantas. Nesta visita guiada, pudemos observar 5 dos 9 biospots.

Museu das Trilobites-Centro de Interpretação Geológica de Canelas

Neste Centro de Interpretação Geológica de Canelas, bivalves, rostroconchas, gastrópodes, cefalópodes, braquiópodes, crinóides, cistóides, hiolítidos, conulárias, ostracodos, graptólitos e icnofósseis ganham  vida, mas são as trilobites que se destacam pelo seu tamanho exageradamente grande comparando as trilobites do resto do mundo. As trilobites têm normalmente tamanhos entre 5 a 15 cm de comprimento. As exemplares neste museu contêm 80 cm no máximo, destacando-as do resto do mundo.

Estas trilobites são datadas do período Ordovício, à cerca de 465 milhões de anos atrás.

À cerca de 200 anos atrás, o local do CIGC era uma antiga mina de ardósia do início do séc XIX. Os mineiros já tinham dado conta destes exemplares de trilobites, desconhecendo o que é que seriam. A única questão que eles colocavam era: "Como é que este animal coube aqui dentro?".

A partir dos anos 70 é que os primeiros exemplares começaram a ser recolhidos para pesquisas científicas. Em 1 de Julho de 2006, foi aberto o CIGC com intenção de mostrar estes maravilhosos exemplares ao público e hoje em dia desempenha um papel fundamental no estudo de fósseis e das eras paleontológicas.

Marcas de pegadas de trilobite
Marcas de pegadas de trilobite
Trilobite fossilizada na mudança de casca
Trilobite fossilizada na mudança de casca

Todas as trilobites dentro deste museu foram fossilizadas devido a desastres naturais ou em extinções em massa. Esta trilobite acima, neste caso, foi fossilizada mesmo na altura que estava a mudar de casca, tornando o mesmo num fóssil único no museu.

Como podemos ver pelas imagens acima, as trilobites também protegiam-se dos predadores juntando-se em grupos.

Visita à igreja de S. Roque

Nesta visita à igreja de S. Roque tivemos a oportunidade de ver as principais rochas constituintes da arquitectura da igreja barroca. Como podemos ver numa das imagens acima, o lápis-lazulis era muito utilizado no estilo barroco para dar aquela sensação da explosão de cores e o exagero arquitectónico.

Na outra imagem, podemos ver o mármore com a tonalidade de cor do mineral manganês. A igreja católica era a principal potência na época medieval. O mármore era muito utilizado nas igrejas medievais porque Itália tinha e ainda tem imenso mármore na sua carta geológica. Por ser um país com intensa atividade vulcânica, o metamorfismo de contacto é muito comum, originando o tão bem conhecido mármore de Itália. O mármore encontrado nesta igreja era todo importado de Itália.

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